Papo de Botequim


Engraçado como algumas palavras não fazem mais sentido depois que o desespero passa. Geralmente aquelas precedidas pela palavra nunca. Ou nunca precedidas por palavra alguma. E que procedam as inferências...



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 20h00
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Onde e quando foi que eu perdi o controle? O controle sobre mim mesmo. O controle do que ocorre comigo. Como a janela eu só mostro paisagens, feias ou más, não são de fato o que eu sou, sou madeira, ferro, aço. Sou mentira. Eu não queria ter que passar por isso, preferia a minha terrível solidão pura e simples, do que experimentar ser abandonado constantemente pela mesma pessoa que não se importa nem um pouco comigo, acha que palavras são subjetivas e as usa com uma leviandade bruta, incrédula. Será que é preciso passar pelas mais dolorosas tristezas pra dar algum valor ao estilo de vida que se queria levar, e por que não, simplesmente seguir sem se importar com nada mais que ar, água e alguma poesia. Eu quero a solidão do cacto no deserto, quero a tristeza da violeta azul, quero a paz da grama e acima de tudo a impessoalidade da relva. Não preciso em hipótese alguma de ambições, mas o que me dói é saber que os outros sim, e exatamente por isso usam da minha plataforma pra se chegar lá e quando chegam, não prestam nenhum tributo. Eu não tenho nenhuma ambição, mas eu preciso desesperadamente de atenção, preciso enormemente de alguém que me faça crer que eu não sou de todo torpor e pessimismo, eu preciso de um olá que não venha acompanhado de um tapa, precisaria de notícias boas que se concretizassem, não de promessas ótimas impossíveis, eu queria o amor de uma bela donzela, mas a bela donzela só tem a me oferecer palavras duras, ditas com carinho, só tem a me oferecer o fato de que ela será feliz, necessariamente sem mim. Eu não sou tão ruim ou tão insuportável a ponto de imaginar que eu não mereço isso, não, muito pelo contrário, eu mereço sim, talvez mais, afinal, sou diferenciado da maioria, não se encontrarão dois de mim, mas mesmo assim eu não basto, não sou visto e sequer sou considerado, eu não peso no julgamento, eu sou apenas o porto seguro que se sabe que estará lá pra quando precisar, totalmente descartável. É essa a minha mais completa verdade absoluta e transitória, e o mais importante, diferente de outrora, não há mais esperança, há um oceano inteiro de impossibilidade, língua, economia e um carimbo. Digamos por assim dizer que mesmo com o destino selado, ainda me ocorre uma daqueles dores no estômago que lembram esperança, mas é só desilusão, e de novo na mesma época, época onde eu devia me concentrar em algo, mas agora não consigo mais, sou fraco, sou triste e sou um desperdício de inteligência, sou a inferência mal feita, sou tudo aquilo que não se espera de alguém como eu.



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 16h49
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Eu não sou orgulho nem princípios, só vontade e raciocínio. No pára-brisa molhado eu vejo borrar a maquiagem da cidade, eu vejo as gotas maltratarem o trânsito e as coisas se tornam lindamente mais feias, eu gosto de coisas bonitas e coisas feias são estranhamente lindas dentro de contexto. Eu gosto de pertencer a alguém ou a algo que valha, mas hoje em dia quem não vale sou eu, sou só e sem seres-humanos, portanto não valho nem pra ser humano, sou rocha, sou promessas, eu sou uma estante de livros não lidos, de discos não ouvidos e de filmes não vistos, eu não sou a mosca que pousará em sua sopa, eu sou pura mansidão, sou água cristalina e eu, definitivamente, não tenho Jesus no coração. Não ouvirão falar de mim, sequer lerão coisas minhas nos jornais, nas bibliotecas ou nos noticiários locais, meu nome não será adjetivo, eu não serei feriado, meu corpo não será visitado e quando minha estadia acabar os rios não se encherão e o transito não ficará caótico. Meu comprimido é de ASD, e que seja num céu com diamantes pois na terra com pedregulhos eu carrego uma cruz maior que meu tronco, eu carrego um peso perdido nos buracos do meu cinto, eu suprimo uma tristeza subjetiva em prol de um alguém maior, de qualquer alguém maior, de qualquer. A vida é feita de relacionamentos que nunca darão em nada, especialmente a relação que eu tenho comigo mesmo. A vida se resume às experiências que você conta, pois erudição e conhecimento geral são provas de anarquia passional, mas ninguém sai vivo do corpo, seja ele qual for, ninguém sobrevive ao apocalipse, e que ele chegue logo e o anjo da luz me leve pra um lugar melhor onde eu nunca terei existido. Onde minha experiência não fará sentido e minhas habilidades não façam diferença. Pra dentro do sol, de cara amarrada, sangue nas veias e nos pulmões, focos malignos, uma força estranha que me arrasta pra uma certeza terrível. E essa irritação que hoje é pressão e negócio se transforme em uma paz cristalina, inexistente, que seja só despressurização e ócio, que seja cerveja e água com gás, que seja chocolate e que seja sem sentido para que não faça questão de entender, é tudo confuso, é tudo desculpa pra não dizer o inegável “não gosto”, é tudo racionalmente pensado pra dizer que foi de ultima hora, é tudo transitivo direto e os pronomes “eu” e “tu” serão sempre muito mais importantes e preponderantes que o “nós”. É fácil ser forte quando se sabe onde a bala irá atingir, o difícil é levar um tiro no olho e ter que enxergar tudo com clareza, o difícil é quando os jogadores insistem em espalhar pistas erradas e cascas de banana num chão liso. E eles nem querem, e eu nem quero mais, respirar dói, começa na garanta e vai até o esôfago, e o soluço que antecede o choro é como o botão que abre a barragem, e o travesseiro só nos conta mentiras e as mentiras só nos fazem chorar, o chorar nós faz implorar e implorando é que ganhamos distância, ou perdemos proximidade, tanto faz agora, a frase não precisa ser a correta pra se entender o sentido que se quer dar, não depois de uma página de lamentos, agora tanto faz a palavra que se use, elas não são mais espelhos, a essa altura são somente ratificações, já fiz a cabeça de quem chegou até aqui, aqui todos concordam comigo, aqui todos me dão tapinhas nas costas e todos acreditam que vai dar certo, só não sabem todos que não é nada disso que um lunático quer, eu não tenho uma vida inteira, eu tenho vinte e um anos, é tudo que eu quero e ninguém me garante que será muito mais que isso, só tem poder quem sabe aonde quer chegar, ninguém sabe aonde quer chegar, ninguém sabe tudo da vida e se soubessem prefeririam nem ouvir o tiro de largada, de resto só crenças em pessoas e votos depositados em urnas de carne, veias e sangue, acreditem, o amor não vem do coração, ele existe, mas não passa de uma sinapse neuroquímica, e o coração é feio, disforme e nojento, parece uma mão fechada e sem pele, é nisso que eu penso quando as pessoas dizem que eu moro lá, num bolo de carne que mantém vivos esses futuros mortos de hoje, essas futuras mentiras de amanhã. Todos mentem, eu não acredito mais em promessas.



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 00h37
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Discurso dos meus vinte e um anos.

Hoje não tem bolo, nem choro, nem vela. Não há o que comemorar. No meu caso, completar um ano de vida é estar um ano mais longe dos meus objetivos e um ano mais próximo da morte. No meu caso. Ontem foi aniversário de um amigo meu, e como de costume liguei e perguntei como é ser um ano mais velho, antes de dar a resposta certeira, de que eu saberia no dia seguinte, revelou o grande peso dessa nova idade, ela passou a ser composta, tem dois nomes, vinte e um... E um! E isso pesa, por que depois vem os vinte e tantos, trinta e tantos, e as cobranças tendem a diminuir, o seguro do carro fica mais barato, as pessoas te respeitam mais, mas e o que acontecerá comigo? Um irrefutável caminho em direção a tranqüilidade e a estabilidade? Isso é o que me preocupa, manter-me estável é afastar-me dos meus sonhos, dos meus objetivos que por hora são só sonhos. E isso dignifica, ter carteira de motorista, imposto de renda e PLR torna sua vida respeitável, o próximo passo é a aliança e depois as fraldas, a inexorabilidade me empurra pro abismo da vida comum de classe média burguesa, o comumente conhecido, aquele que tem os meios e a vontade, mas não sabe como, esse, senhores, somos nós. E quando vislumbra-se qualquer tipo de mudança, apontam como se fosse irregularidades, sequer posso deixar o cabelo um pouco maior que viro assunto nacional, como se o comentário alheio servisse pra me mostrar a falta de assunto que assola o mundo, se vou de branco e saio do cotidiano, me chamam pai-de-santo e caem no senso comum, não importa o que eu faça, sempre há alguém munido das armas da ignorância pra me lembrar que se eu quiser ser diferente eu estou sozinho. A estabilidade me corteja como o traficante assombra o viciado; a preguiça, a tranqüilidade do interior, a vida vivida com ponto, virgula e sono de oito horas ratifica uma existência medíocre pela incapacidade. Eu não quero fazer diferença, desbravar mares e criar palavras, eu quero a mesma mediocridade, mas longe das pessoas que acham que essa escolha de vida é feita pelo mundo e não por você próprio, eu quero passar a vida anonimamente, desde que a pessoa que me conheça melhor seja eu mesmo, e mesmo assim me surpreender com minha reação diante de uma situação inesperada, mesmo assim ler tudo o que eu quiser, à quem eu quiser e com a caneta na mão, pra corrigir cada eventual erro de gramática, de conjugação entre passado, futuro e esse presente fugaz, presente de espírito. Eu queria todas essas coisas e ainda por cima empanturrar meu cérebro de informações, mas acontece que eu tenho que aprender a escolher entre a declaração completa ou a simplificada, tenho que assistir ao jogo do domingo, tenho que jurar uma lealdade hipócrita, e isso é muito mais fácil, e isso vai me escolhendo aos poucos, e como uma gelatina grande e pesada eu vou me acomodando em meu buraco, vou tomando uma forma amorfa, vou me despedindo, e vou crendo indubitavelmente que nesse aniversário não há o que comemorar, aliás, há sim, celebremos o fim do que poderia ser um grande começo, celebremos a total falta de esperança, e se lembrarmos, celebrai-vos todos, pois ele esta pra voltar, e eu estou de saída pra um mundo um pouco melhor, vou me refugiar no único reduto inabitado pela rede globo, vou me esconder nos confins da minha cabeça, vou me abrigar no hipotálamo, ligar o piloto automático e fingir que nada acontece, que vai tudo bem, com sorriso automático e bom dia automático, vou de calça jeans, camiseta e tênis surrado, vou confortável, vou ser a estrela do meu espetáculo, como aquele seriado onde destaca-se pela ignorância, e pela comédia estúpida da vida privada, rodrigueana, tristemente engraçada. Sorriam senhores, é chegado o tempo do transito às três da manhã, é chegado o tempo das dores de cabeça inexplicáveis, é chegado o tempo onde Almenara não fará mais sentido, e chegou a hora de me conformar, como aquele amigo que fez aniversário ontem, aliás, ele me contou que com vinte e um anos um sujeito passa a ter direito legal a comprar uma arma e a utilizá-la, poderíamos até ter proibido isso por meio de referendo, mas não, queremos esse direito, queremos o direito de permanecer no terceiro mundo, e já que não me tiraram essa prerrogativa, talvez seja ela, nesse mundo corrupto, a minha única solução. Não se assustem quando acordar, abrir a janela, não ver linha no horizonte e pensar que hoje poderia ser um grande dia pra usar minha arma. Obrigado.



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 02h00
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Discurso dos Meus Vinte Anos        

 

            Austero, vulgar e irredutível. Chego as minhas vigésimas águas de março com meu ar pseudo-intelectual e minha linguagem pseudo-rebruscada. Uso de tais instrumentos pra dar sentido a uma vida que hora foi vivida de mais e outras horas foi vivida de menos. Com beijos tristes ao fim de outubro e um calor alegre na véspera de março, com a incapacidade do ser humano estampada na minha biografia, superei obstáculos que nem eu mesmo sabia que existiam e mesmo assim me sinto incompleto, incapaz e com aquela sensação de tempo perdido que não passa nunca. Me sinto conformado nas manhãs que começam antes do que deveriam e me vejo animado nas noites que acabam depois do esperado. O travesseiro que me acompanha nas noites de devaneio sabe o quanto eu protelei, o quanto eu ensaiei e é a ele quem eu conto o porquê eu não realizei. A alegria reside nas brincadeiras típicas e a idade esconde a tristeza típica da índole, e tudo se resume ao querer sentir, ao querer ser, ao querer chorar e não conseguir. Aliás, não conseguir é um fato presente, não conseguir manter um amigo foi um fato grave, mas nada comparado a ter a chance de ter o que eu quero e quem eu quero e não conseguir, e quando digo não me resumo a amar Amandas ou desejar Danielles, vou além, por que isso é fato passado e resolvido, até onde eu entendo, pelo menos. Quando eu digo, me refiro a dizer o que eu quero, a quem eu quero, na hora em que eu quero e sendo quem eu quiser. Me refiro a falta de guilhermismo dos momentos oportunos, aproveitar oportunidades, rodar um filme, escrever um livro, fazer mais amigos, fechar mais negócios, buscar as respostas precisas às perguntas certas, ser simples, direto, honesto, e talvez gostar um pouco mais da humanidade, dos meus parentes que não são meus amigos, dos meus vizinhos que são só de porta, aproveitar mais os filmes que não são de Kubrick, os livros que não são de Saramago e as músicas que não são do Pink Floyd. Perdi a chance de usar grande parte da força e beleza intrínsecas à minha juventude das minhas primeiras duas décadas. Enfim, perder chances é uma constante, recriá-las será um dever, sorrir, telefonar, me comunicar, tudo isso será uma constante, e por que não também, amar mais, mesmo que o amor não exista, me embriagar de vez em quando e só assim dar valor a realidade, perder peso, tentar escrever algo feliz, só pra ver se fica bom, e se não ficar, me resignar com os momentos bons que passei escrevendo, aliás, viver cada vez mais momentos melhores e quando o momento for algum normal, enxergar a beleza disso e aproveitar. A beleza das coisas que fui: idealista, patriótico, patético, pragmático interessado na cultura que não é ortodoxa, presidente de empresa, vendedor de Teta, Coca e Paçoca, diretor de comercial de TV, goleiro, diretor de clip, protagonista de clip, já fui estranho, já fui diferente, já fiz parte dos Power Rangers, já fui um SuperCampeão, já fui ao show do Bob Dylan na última hora, hoje sou funcionário público e Almenara é só um retrato na parede, e não dói, é lugar comum. Já quis mudar o mundo e acabei sendo mudado por ele, não sei quem deixou isso acontecer, mas foi um crime. Começa-se querendo dar uma solução no planeta, depois no país, enfim na minha casa, e agora luto por tentar curar os meus defeitos. No final das contas sou grande, posso revolucionar, basta esquecer que antes do “nós” existe o “eu” e que é Ele que nos escraviza, nós seríamos tremendamente melhores se não quiséssemos ser tão bons, é o que disse Freud... Freud explica. Acontece que depois de vinte anos muita coisa mudou e muita coisa continua exatamente como era, e não é isso que vai definir quem eu sou, mas sim o que eu farei dos meus dez, vinte, cinqüenta ou cem anos que me restam, não dá pra planejar, basta seguir com certa destreza que só o tempo fornece, pra ficar velho basta viver o suficiente disse Marx, o Groucho, e eu completo que para viver o suficiente basta viver bem.

            É preciso tomar cuidado com esta que escrevo, não são palavras de lamúria, nem frases de empolgação, não são resignações nem auto-ajuda, são apenas passagens de uma vida curta que não importa o quanto se erre ou se acerte, basta nunca esquecer a premissa de que não importa o tempo, estarei sempre apenas começando.

Obrigado.            

 

 



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 08h16
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Esse blog tem história.

Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 02h15
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aniversários

18/09/08

Hoje é aniversário de um ex-amigo meu. E apesar dos aniversários serem datas especiais para aqueles que aniversariam, e para aqueles que desfrutam disso, o que mais chama a atenção na minha frase é a denominação de “ex-amigo”, já tivemos ex-namoradas, ex-maridos, ex-cunhados, ex-escolas e ex-casa, mas ex-amigo é um termo cruel demais para ser usado. O fato é que todo mundo tem um, todos tem alguém com quem perdeu contato, alguém de quem se afastou voluntariamente ou não, alguém que por qualquer motivo que seja tenha sido retirado do seu circulo de amizades, acontece que raramente esse afastamento pode ser, assim como um golpe militar, datado, estudado e justificado. Pois bem, hoje é aniversário de um ex-amigo meu e o primeiro aniversário que passamos, de um e de outro, depois do fim da amizade, foi um fato curioso, e caso é que o meu aniversário vem primeiro, e depois dele voltamos a nos falar numa tentativa despropositada de reavivar a relação amistosa, não foi sucesso e após o fim inegável veio o primeiro aniversário dele depois que encerramos a amizade, e este foi exatamente como o aniversário de hoje, sem ligações, sem alardes, sem lembranças, apenas uma anotação mental que insiste em me lembrar que hoje é aniversário de um ex-amigo. E como acabam as amizades? Perguntaria o tenaz estudioso de relações sociais, pois bem, eu poderia fornecer uma gama de explicações mas elas não passariam de especulações acerca da vida política num plano reduzido da interação humana subjetiva, sendo assim, me proponho apenas a relatar os fatos, com algumas imersões no que tende a ser uma análise e com algumas reflexões duvidosas sobre as personalidades envolvidas, antes de mais nada declaro que não tenho o menor gabarito para tais analises, sou mero espectador da vida. Enfim, ele roubou minha namorada. Ok, confesso que não comecei muito diplomático, e confesso também que as coisas não foram bem assim, nós não namorávamos, nós nunca tínhamos nos beijado, mas eu era apaixonado por ela, e ela por mim, acontece que na minha infinita timidez eu nunca me dei ao luxo de me declarar, fiquei quieto e essa paixão esfriou, esse meu ex-amigo se apaixonou por ela logo em seguida, ele bem menos tímido e muito mais seguro que eu, a arrematou, namoraram e acreditem, esse não foi o motivo de a amizade acabar, até por que o namoro deles acabou primeiro e a amizade ainda existia, nos visitávamos, eu, ele e a namorada dele, por quem eu era, e por horas chego a pensar que inda sou apaixonado. Depois as visitas eram só pra ele ou só pra ela, acontece que nossas relações amistosas continuaram perfeitamente, só que ai a vida deu o troco, exatamente o inverso do personagem matuto de Rosa, a minha hora e vez havia de chegar, e chegou, anos depois, o amor convergiu novamente e a timidez era bem menor, consegui o meu tão sonhado, bem, não podemos chamar de namoro, um romance de verão, uns beijos de fim de festa, foi isso o que consegui com a mulher que me tirou o sono na minha adolescência, e o amigo que ainda era apaixonado por ela, mas não mais a namorava, ficou puto comigo. Tudo bem, mas aqui impera a lei da reciprocidade, antes eu havia feito uma concessão para ele, nada mais justo que ele agora a esquecesse pra que eu pudesse aproveitar esse momento sem culpa, mas como ele esquecendo ou não eu aproveitei o momento sem culpa, o que o deixou puto. E eu fiquei mais puto ainda por ele ficar puto comigo, depois de molhar tantas fronhas com minhas suplicas infundadas por uma morte rápida e indolor eu havia alcançado o paraíso. No final das contas, cheguei à conclusão de que a amizade acaba exatamente como se acaba uma conta no banco, você a mantém enquanto ela te dá lucro, ou enquanto ela tem uma utilidade pra você, pode até mante-la em stand by caso ache necessário, mas se uma conta começa a dar prejuízo é hora encerrá-la. Foi o que eu fiz, essa amizade me dava prejuízos enormes. Acontece que sou arrogante e presunçoso, ele também, só que ele atingiu essa inflação do ego muito antes do que eu, e dentro de uma caixa, se um balão estiver cheio, o outro vazio não consegue se encher. Era como eu me sentia, como se ele roubasse todo o meu ar e eu ficava estatelado num chão excessivamente duro. Talvez hoje, com meu ego estabelecido, a amizade pudesse voltar a tona, mas pra que reavivar o que esta enterrado, pra que tentar resgatar algo que na pior das hipóteses pode fazer muito mal, já abri contas em outros banco e quando o mundo perde dinheiro nas bolsas eu ganho em ações. O mais engraçado é que essa história só se completa por que se hoje é aniversário do meu amigo, antes de ontem foi aniversário dela, e eu sequer liguei, sequer dei oi, nem ao menos lembrei, se é assim, de que valeu isso tudo? Talvez essa história pudesse ser contada sem nem citar essa garota. Afinal foi tudo uma eterna guerra de gênios, foi um horror construído a cada dia, a cada resposta atravessada, a cada olhar atravessado, a cada almoço não pago, em cada dia em que eu ia dormir me perguntando por que eu tinha esse amigo, e não achava resposta, nada fazia sentido, em todas as oportunidades ele destilava seu torpor intelectual por cima da minha sublime ignorância, ele é de direita, eu sou esquerdista. Eu não dou tanto valor a quantidade de relações sociais, desde eu se tenha umas poucas e boas, ele é populista e me jogava na cara o grande circulo de amizades que tinha, as inúmeras e belas garotas com quem saía, ele tinha uma pompa incrível, e eu era incrivelmente prosaico, vulgar aos padrões populares, detinha uma unicidade incrível que tangia para a excentricidade, ele tinha essa unicidade que beirava a política. Pois bem, no fim da amizade, ainda existia um respeito mutuo muito grande, nos admirávamos como opostos perfeitos e eu sabia da inteligência incrível que, eu acredito, ele ainda tem, mas acontece que um fator pôs tudo a perder, apesar dessa disputa que claramente havia, pelo menos pra mim, ele negava, ele não se achava o sujeito a ser batido, por mais que eu deixasse isso claro, e foi essa hipocrisia que fez ruir a tênue linha amistosa que nos mantinha, isso é a única característica que eu nunca invejei, a hipocrisia fez a verdade vir a tona e assim encerrou-se qualquer possibilidade de termos um amigo a mais em nossa carteira, mas mesmo separados ainda há uma disputa, a disputa pra ver, no futuro, quem perdeu mais com o fim dessa amizade.

Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 02h10
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contraditoriamente

Depois da tristeza vem a raiva.

Contradições são palavras mal ditas, malditas.

Contravenção é a força exercida, pro mal.

 

A cor do som da sua voz é preto, escuro.

É claro que também te culpo, eu juro

que depois dos cubanos eu pulo, e te mato.

Eu sinto, eu falhei quando paguei o seu próximo trago.

A raia miúda é tão grande/ E você é o integrante mais desqualificado.

 

Meu amor, seu sorriso me traz uma dor, quando aflora.

Ou eu subo no salto ou você vai à forra.

E quando eu cair, deixe ir, ninguém me socorra.

No próximo ato eu te peço, me beije ou morra.

 

Empurro o taco, derrubo a bola, encaçapo.

Sorte no jogo e no amor eu fico de lado.

A sua verdade você mesmo faz no seu mundo.

Mas não me venha dizer o que acha e o que pensa de tudo.

Vira o seu copo, desce o seu jogo e fica calado.

Dialética... eu mesmo faço.

Tudo bem, falta terminar, acabar, musicar, tocar e se fazer ouvir, mas até lá...



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 22h10
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Consolo na Praia

Vamos, não chores

A infância está perdida.

A mocidade está perdida.

Mas a vida não se perdeu.

 

O primeiro amor passou.

O segundo amor passou.

O terceiro amor passou.

Mas o coração continua.

 

Perdeste o melhor amigo.

Não tentaste qualquer viagem.

Não possui casa, navio, terra.

Mas tens um cão.

 

Algumas palavras duras,

em voz mansa, te golpearam.

Nunca, nunca cicatrizam.

Mas, e o humour?

 

A injustiça não se resolve.

A sombra do mundo errado

murmuraste um protesto tímido.

Mas virão outros.

 

Tudo somado, devias

Precipitar-te – de vez – nas águas.

Estás nu na areia, o vento...

Dorme, meu filho.

-Carlos Drummond de Andrade- 



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 16h49
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E tudo que está sob o sol está afnado

Mas o sol é eclipsado pela lua.



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 17h13
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E tudo que está sob o sol está afnado

Mas o sol é eclipsado pela lua.



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 17h13
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E tudo que está sob o sol está afnado

Mas o sol é eclipsado pela lua.



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 17h13
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tomei um susto, depois me enturmei e fui ouvir rock'n roll...



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 17h05
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iiiii... i will be with you again... undeeeeer a red bload sky......we can beeeeee one.....

ai uil be uith iou, for ever and ever... deus realmente é ateu.

mas to me esforçando pra mudar isso.



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 00h27
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como diria nietzsche, ou?

Estamos em abril, estamos no dia 5 de abril, e é a quarta vez no ano que eu tenho vontade de chorar. A primeira foi quando eu assisti Filadélfia, tudo bem, eu tava sozinho em casa, meus pais tinham viajado, Guilherme tinha viajado, Amanda tinha viajado, Sidnei fugiu do meu hall de lunáticos, Diego era incomunicável, ou inviável, Pedro também. Eu tava sozinho em casa e quase chorei, quase. A segunda vez foi pior, as viagens já haviam encerrado, e os lunáticos já estavam comunicáveis, mas foi vendo “O Ano em que meus Pais Saíram de Férias” que eu, pela segunda vez no ano, tive vontade de chorar. Fiquei com raiva da Ditadura Militar, mas isso nunca foi motivo pra chorar, afinal eu sempre tive raiva da Ditadura Militar, e pela segunda vez no ano eu quase chorei. Insisto, quase. A terceira vez foi a pouco tempo, minha psicóloga acabara de me dar alta, e enquanto eu a escutava, eu senti por umas duas vezes aquela vontade peculiar de chorar. Mas eu não chorei. A quarta e última vez (espero eu) foi agora, pouco antes de começar a escrever, meus pais dormem, são cinco da manhã e eu sinto vontade de chorar, ainda nem passou direito, mas eu não vou chorar. Eu nunca vou chorar. Alguns dizem que não entendem, realizei tudo o que pude, consegui transpor todos os percalços que dependiam de mim, segunda feira minha vida começa, e eu to assim, querendo chorar, desmotivado, triste, e sem nenhuma vontade de sair da cama. Sem querer trabalhar, querendo largar a faculdade e sem vontade nenhuma de sair pra comprar meu carro. Eu to assim. Se agente parar pra pensar, todos os momentos em que eu senti vontade de chorar é por que eu estava sozinho. Ou por que eu assistia alguém sozinho, ou por que eu acabara de ficar psicologicamente sozinho, ou por que eu estou sozinho. Mesmo que pisquem sete telas do MSN, eu continuarei sozinho, por muito tempo, e pior é que eu nem me sinto autêntico, nem me sinto como se tivesse sentindo algo novo, como se estivesse sendo algo novo. Eu sou aquilo que muitos foram e que muitos serão. E é isso que me faz ter vontade de chorar. Amanhã eu vou acordar bem cedo, limpar minha espingarda, colocar minha capa, dar meu trago de vermute seco, acender meu charuto, abrir bem os olhos e partir pra morte. Amanhã eu não serei eu, serei todo mundo ao mesmo tempo. Amanhã eu não quero papo, amanhã teremos fogo. Amanhã teremos morte, o único mal irremediável, a última dose do guihermismo, o último pulo, o último Pedro. Ou seria o primeiro deles? Ou?         



Escrito por Pedro Lacerda Lopes às 04h10
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